II ~ Porto Offley Rosé


Os olhos de Felipe semi-fechavam. Já era madrugada, e a única luz que iluminava o quarto era a de um abajur ao lado da cama. Do seu lado exalava um perfume doce que vinha de um corpo alvo, ornado em um louro que realçava os grandes olhos azuis, que agora descansavam. Ela, sem sombra nenhuma de dúvidas, veio como se fosse um presente divino. Felipe reconhecia que tinha ali, dormindo aos seus braços, a chance mais rara de se alcançar o céu. Tinha a própria felicidade em pessoa. E a amava tanto.
As mãos de Felipe passeavam pelo corpo de Kate com a leveza cuidadosa de um carinho, procurando não acordá-la, embora adorasse ficar admirando os olhos dela enquanto ela sorrir. Lembrava-o das águas pacíficas de Bora Bora. Tudo entre os dois parecia tão perfeito que fazia parecer que aquilo não existia, que era apenas um conto de um romântico qualquer com saudades de sua Kate. Mas não. Era tão real quanto mágico. Os lábios daquele casal, quando se encontravam, era um toque tão afável que nenhum dos dois era capaz de manter-se de olhos abertos. O beijo era como o doce sabor de um Porto Offley Rosé.
- Senhor? – a voz do maître dissipou os pensamentos de Felipe, que já estava há vários minutos encarando as tulipas rosas que ornava a mesa de jantar do restaurante – Já decidiu o que vai pedir?
- Eu... – Felipe ainda não havia retomado ao presente. Mostrou-se completamente confuso – Eu... – fingiu consultar qualquer coisa no cardápio e fez o pedido, em voz decidida – Um Porto Offley Rosé.
E, naquela noite, Felipe provou mais uma vez do doce beijo de Kate.

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