IV ~ Uma carta inesperada


Querido Fê,

Não pense que eu o esqueci. Isso não seria possível. E digo isso, envergonhadamente, porque eu realmente tentei esquecê-lo. Fui tola, sabe? Na verdade eu continuo sendo. Não era para eu ter tentado o impossível de te esquecer, mas também não era para eu estar sequer te escrevendo. E nisso, eu também estou sendo tola.
Eu sei, eu sei. Sumi por longa data e não deixei notícia alguma, nem forma nenhuma de você me encontrar. Apesar disso, sempre soube exatamente como tem sido os seus dias. Sim, a sua irmã tem me contado tudo. E não a culpe por isso, por favor, pois a culpa é toda minha. Pedi segredo a ela, e em troca ela me fez prometer que eu jamais usaria disso para te fazer sofrer. Promessa por promessa, e ela topou não contar a você que se tornou minha confidente. Era necessário, sabe? Eu precisava saber de você, mas não podia deixar que você soubesse disso. Sinceramente, eu sempre torci para que você me esquecesse. Não aconteceu, não é?
Sabe, querido, eu realmente não quis te procurar. E eu nem sei como dizer o que tenho a lhe dizer, mas eu sei que é preciso ser dito. Eu... me casei. E ainda estou casada, apesar de estar vivendo alguns problemas recentes, mas não pretendo voltar atrás. É coisa que mamãe sempre ensinou: nunca jogue fora, tente sempre consertar. Meu coração e o meu espírito sempre pertencerão a você, mas o meu corpo foi dado em matrimônio ao meu marido. É necessário que entendamos que nem tudo é como gostaríamos que fosse.
Fê, por favor, imploro-te para que não me perdoe, pois sou a pior pessoa deste mundo, e você sempre mereceu alguém melhor do que eu. Há tantas mulheres lindas e carinhosas ao seu redor, e sei que você não terá dificuldade em encontrar uma que o faça realmente feliz. Siga a tua estrada. Seja feliz. E se precisar, odeie-me profundamente.
Kate W. P.

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