Não tem como não se emocionar ao folhear um álbum de
fotografia. E daqui decorrem várias espécies de emoção, de saudade à
rejeição. Um pecado em cada foto, quase que imortal. A cada sentimento, uma explosiva
vontade de estar em outra época, e talvez em outro lugar.
De deplorável pessimismo, parece que até nas boas
recordações nós sentimos dor. Um mix
de saudade e inveja. Caminhos diversos!
Mas talvez sintamos inveja de nós mesmos, naquela época em que éramos tristes,
mas éramos juntos. Pois éramos casais, éramos irmãos, éramos família. Éramos
tristes sim, repito, mas éramos também felizes. Éramos juntos.
Aos poucos um e outro se vão. Seja para cumprir o infeliz e
inevitável percurso da vida, seja por opção própria, rasgando águas e ventos em
busca da Terra Prometida. É assim que
funciona em toda pacata vida familiar. É assim que acontece enquanto nem nos
demos conta por causa de nossa luta cotidiana em busca de algo que se decomporá
com o pó. E que assim como nós, será somente pó.
Mas acontece. Sempre tem aquele momento em que nos
deparamos com uma fotografia e ela nos sequestra os olhos. Instala-se um fluxo
momentâneo de saudade e lástima. Da certeza de que estamos fazendo o certo,
caímos em leve arrependimento, até, por vezes, colidirmos com um infeliz
desespero. Dá aquela vontade insana de abraçar forte, sentir o perfume,
massagear os cabelos daquela pessoa com força, mas afago. Uma vontade, às
vezes, até de beijar-lhe o pescoço em paixão estonteante e cálida, só para ver se mata a
fome da saudade, só para ver se saciamos a sedenta vontade de ficar pra sempre.
E assim, perdoarmos a infeliz tendência que temos de nos
separar de quem mais amamos.

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