Mas não adianta. Para que o Amor seja bom tem de ser
necessariamente o obsessivo, o ardente, o ciumento, o sufocante. E não é que
este seja o verdadeiro e único em detrimento de todas as outras espécies de amor, mas é o apaixonado que faz com que valha a pena. É porque quando os dois nutrem o fogo excessivo de amar demais, quando
os dois se entregam em poesia, ofego e afago... Ah! Não tem como, não tem modo e
nem porquê. Torna-se amor sufocante, delirante, descontrolado, irracional, em paixão
febril que afoga o tempo em desnecessidades descartáveis. E tudo o que queremos passa a ser nós mesmos, deitados naquela cama pequena e quentinha. Confortados um nos
braços do outro. E todo o resto se torna supérfluo. Todo o resto deixa de ser
você.
Sim, sim. Tratando-se do Amor, o mínimo que eu peço é o
exagero.

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