Às 23 horas de
cada dia Gabriel se jogava na cama se sentindo um fracassado. Derrotado, por
não ter conseguido um pretexto para dizer algo mais que um simples “oi”. Nada o
vinha à cabeça. A simpática moça passava por ele quase todos os dias, e o dizia
um “olá” acompanhado de um sorriso tão doce que se tornava difícil manter a
caminhada em linha reta.
Tudo o que
sabia dela era o seu nome. Nada mais. Não conhecia os seus gostos, os seus
medos, os seus sonhos... Não sabia nada do que ela fazia quando ela não estava
ali, dizendo a ele o mais doce “olá”. Ela simplesmente tinha um jeitinho
encantador e fascinante. Um feitiço inexplicável que o prendeu à necessidade de
querê-la todo dia, mesmo que nunca a tenha sentido um simples toque.
Sim, ele
sabia. Era ridículo estar apaixonado por alguém que mal conhecera. Mas muito
mais ridículo era não saber inventar um mínimo pretexto para iniciar uma
conversa. Um pretexto pra chamá-la pra sair. Um pretexto para tentar construir
a felicidade. Não... Nenhum mínimo pretexto.

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