Colorindo o Saber


Pobre daquele livro
Que se esqueceu do violão do Sertão!
Pobre deste velho moço
Que teve sua inteligência esculpida num vão.

Pobre do velho rabugento
Que aprendeu que a vida está na política
E na ciência crítica que mais ou menos se explica
Ensinando tormento ao intelecto lento.

Pobre de nós cientistas!
Que quanto mais se descobre
Mais nos ocorre
Que a vida está pobre.

Teoriza para comprovar o que vê
Irrita-se, estressa-se, esgota-se!
Mas gradua-se, mestra-se, doutora-se.
E sofre mais à medida que lê.

Em todas aquelas fórmulas não há uma poesia!
Tem caneta, papel, mas onde estão as magias?
Não há nem Sertão e nem mesmo a maestria
De um sertanejo caipira cantando seus dias.

Pobre Ciência sem tato!
Ensina-te também na viola,
Na dança, no circo ou teatro
E não apenas na escola!

Não seja só um livro
De teor tão rijo!
Não afaste o pai cientista
Da filha artista!

Ponha-te com o riso, a sujeira e o palhaço,
Com o menino na rua brincando descalço,
Com o azul, com o verde, o laranja, o bagaço...!
Pois há tempo pra isso, tempo e espaço.

Atraia mais risos,
E não só as mentes!
Seja sim seres vivos
Mas seja seres contentes.

Não te ponhas à parte
Não seja tão funca
Pois antes arte
Do que nunca!

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