Perdoem-me, leitores
Mas preciso lhes contar
Hoje cedo eu encontrei
Um caderno e um crachá.
No caderno havia versos
Leves, soltos, sorridentes
No crachá, fotografia
Da menina que sorria.
Parei minha caminhada
E dediquei todo o dia
Lendo os versos da menina,
Da menina que sorria.
Eram mais que poesias
Não só versos de amor
Também havia sonhos vivos
Tudo em lápis de cor
Repensei os meus poemas
Por que reflito tanta dor?
Pouco a pouco, enquanto lia
Repensei o que é o amor.
Ana, Ana, doce Ana
Ana Amélia e a poesia
Mudou a vida de um homem
Só com aquilo que escrevia.
Fechei lentamente o caderno,
E olhei na foto o riso
E no súbito do encanto
Aprendi viver mais vivo
Vontade. Ah, minha
vontade!
Queria ler aquilo todo dia
Mas precisava devolver
À menina que sorria.
No crachá,
Nome, foto e endereço
Fui atrás da menininha
A qual guardo o meu apreço
Diante da casa de jardim bonito
Senti um ar de poesia vindo
Seria aquilo ilusão
Ou até a campainha soou lindo?
Pouco ou nada demorou
E logo reconheci o sorriso
Voz suave e olhar luminoso
E eu com um ar de indeciso.
Arrisquei dizer “Olá”
Mas pensei se deveria
Diante de uma poetisa
Conversar em poesia.
Menina de conversa leve
Tanto quanto um poema
Seu aroma lembra a praia
Como a praia de Ipanema.
Entreguei-lhe o caderno
Mas disse que dali não saio
Até que Ana, a poetisa
Me ensinasse o seu balaio.
Ela disse em tom suave:
– Segredos não há nele!
Basta um sorriso no rosto
Você fica lindo com ele.
Ensaiei meio-sorriso
E aos poucos ri de verdade
Ana, Ana, a doce Ana
Me ensinou felicidade.
Saí de lá sob as estrelas,
Tarde, tarde, tão escuro!
Mas via arte em todo canto
Até nos detalhes do muro.
Ana, Ana Amélia.
Ana Amélia e a poesia
Só agora eu entendi
O que jamais eu entendia.
Ana lápis, papel, caneta
Giz de cera e lápis de cor
Em seus riscos juvenis
Reaprendi o que é o amor.
Ana noite, Ana dia
Ana Amélia e a poesia
É só nela que eu penso
Na menina que sorria.

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