Penso num carinho que eu não conheço, e escrevo. Penso num afago que eu fantasiei em minha mente, e escrevo. Penso às vezes na possibilidade de existir uma pessoa assim, que completasse esse vazio infindo. Fantasio cada momento, e escrevo sobre isso. Tento nos imaginar nos lugares que sempre brindei a tua ausência com um cálice de vinho. Na beira do lago, no jardim botânico, na varanda de casa numa noite enluarada, ou deitado na quadra de esportes assistindo as estrelas. Sozinho, te imaginando, tentando visualizar o seu rosto desconhecido.
E é só o que eu consigo imaginar. Tento senti-la, e me perco em mim. Tento conversar, mas você não me responde. Tento imaginar o que diria se você deixasse de ser apenas pensamentos e se mostrasse pra mim, e desiludo-me abruptamente. Porque se você existisse, eu não saberia te conquistar. Se você existisse, eu nem mesmo iria te conhecer. Se você existisse, você já estaria nos braços de um outro alguém.
E eu me deito novamente na solidão, e olho para o céu esperando uma estrela se jogar. Pedindo que me dê forças para conseguir viver essa louca solidão, sempre imaginando como seria se você existisse...
(publicado originalmente na quinta-feira, 15 de abril de 2010, no blog de memórias)
(publicado originalmente na quinta-feira, 15 de abril de 2010, no blog de memórias)

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