Difícil
é deitar sem ter lhe dito uma só palavra. E a noite, antes de dormir, ficar
sonhando os momentos que poderiam ter sido bons, mas que nunca aconteceram. E
vou pra cama, ainda sentindo o perfume do teu abraço.
Difícil
é evitar-te ao máximo quando estamos perto por medo de perder o controle e
dizer o que sinto. Difícil é sentir o teu cheiro de flores, tua pele macia, teu
seio casto que acalanta os meus anseios, teu amor transcendente, e não poder
eternizá-la, mantê-la em mim por tempo maior que a minha saudade.
Difícil
é fingir que não me importo para guardar esse sentimento em segredo. Ter que
amordaçar meu peito para que ele não lhe clame um pouco de repouso, de paz.
Difícil é emudecer-me quando as palavras não mais conseguem se silenciar.
Difícil
é querer duvidar que te quero, só para não incorrer no risco de amar. Difícil é
te abraçar sem saber se me entrego, medindo meticulosamente a quantidade de
desejo para que não seja indiscreto. Difícil é recordar, com cheiro e tato, de
todas as vezes que pude te tocar, e deitar-me em solidão e saudade. Amando-te
do jeito mais difícil.

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