Tive a
chance de dizer-lhe sobre o inefável, mas optei por gaguejar e falar coisas sem
sentido, tomado por um desespero que me afogava, que me defendia de você sem
você desferir uma mínima ameaça de machucar. Conversei sobre tudo e sobre nada,
arriscando uma metalinguística que ocultava o meu verdadeiro pensar. Logo que
comecei a falar, já queria dispor de mais tempo pra pensar, relegando a
lembrança de que tive tempo mais que assaz para isto. Queria dizer que a amo,
mas jamais tive certeza se isso é verdade. Às vezes duvido até que já amei.
Quando abro a boca para dizer-lhe sobre o que sinto, só me vem à cabeça a falta
que você me faz e o quanto me desespero quando vejo que acabou o tempo para
estar ao seu lado e eu nada disso disse a você. Queria dizer que te quero,
apesar de nem ter certeza do quanto disso é verdade. Queria dizer que (...), na
verdade eu só queria abraçá-la, sentir-lhe o cheiro, o amor, até que uma
lágrima respondesse àquilo tudo. Palavras nenhuma representariam a confusão do
meu sentir, talvez por isso que eu nada lhe disse em meio àquelas tantas
palavras misturadas que lhe joguei aleatoriamente. Talvez um dia você perceba
esse sentimento esdrúxulo que nasceu nesta pessoa esdrúxula. Talvez você goste
disso, talvez você se apaixone por este sentimento indefinido e inexpressivo.
Ou talvez eu apenas esteja querendo acreditar numa bobice de uma fábula
qualquer a assumir que isso seja amor e simplificar a esdruxubilidade do meu
sentir.
O AUTOR

"Pouco a pouco fui caindo na realidade, e minhas lágrimas caindo no papel. Cada gota que caía deformava o nome dela de forma cruel. Pensei em tirar a folha dali debaixo, mas algo em mim queria que ela sentisse cada lágrima que derramei por não tê-la ao meu lado..."
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