O oculto indito

Tive a chance de dizer-lhe sobre o inefável, mas optei por gaguejar e falar coisas sem sentido, tomado por um desespero que me afogava, que me defendia de você sem você desferir uma mínima ameaça de machucar. Conversei sobre tudo e sobre nada, arriscando uma metalinguística que ocultava o meu verdadeiro pensar. Logo que comecei a falar, já queria dispor de mais tempo pra pensar, relegando a lembrança de que tive tempo mais que assaz para isto. Queria dizer que a amo, mas jamais tive certeza se isso é verdade. Às vezes duvido até que já amei. Quando abro a boca para dizer-lhe sobre o que sinto, só me vem à cabeça a falta que você me faz e o quanto me desespero quando vejo que acabou o tempo para estar ao seu lado e eu nada disso disse a você. Queria dizer que te quero, apesar de nem ter certeza do quanto disso é verdade. Queria dizer que (...), na verdade eu só queria abraçá-la, sentir-lhe o cheiro, o amor, até que uma lágrima respondesse àquilo tudo. Palavras nenhuma representariam a confusão do meu sentir, talvez por isso que eu nada lhe disse em meio àquelas tantas palavras misturadas que lhe joguei aleatoriamente. Talvez um dia você perceba esse sentimento esdrúxulo que nasceu nesta pessoa esdrúxula. Talvez você goste disso, talvez você se apaixone por este sentimento indefinido e inexpressivo. Ou talvez eu apenas esteja querendo acreditar numa bobice de uma fábula qualquer a assumir que isso seja amor e simplificar a esdruxubilidade do meu sentir. 

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