O poeta e sua dor
A tinta e sua cor
O amante e seu amor
E todo o resto é sobra.
Afinal, de que vale a poesia?
De onde veio?
Pra onde vai?
E por que é que veio?
Ela é arte de juntar o resto
Para falar de tudo aquilo que não é sobra.
Fala das dores, das cores e dos amores.
Fala das cores que representam as dores
Das dores que resultam de amores
E dos amores que às vezes colorem as dores.
E o poeta pinta.
Finge que as palavras são tintas
E as jogam apaixonadamente em uma folha de caderno.
Pra falar a verdade,
Os poetas nunca deixaram de ser crianças.
Quando pintam poemas,
Esperam aliviar as dores dos amores com cores de giz cera.
E fazem uma mistura danada!
Misturam a sua vida pessoal com a infantilidade de um filme Walt Disney
E às vezes acredita até que pode curar o mundo com cores.
Gosta de imaginar que todo mundo merece um final feliz.
Mas cá entre nós,
Nem nos contos deles as pessoas se dão tão bem assim.
Há sempre um amante chorando
Uma mãe solteira
Um mendigo na rua
Ou um poeta que pinta suas lágrimas.
Mas sabe?
É aí que está a arte.
É mostrar para o mundo através de todas as cores possíveis
Que a esperança não segue um senso lógico,
Porque o destino também não.
E pode até ser que estejamos nos rastejando em desilusões
Numa ou outra hora branca da vida.
Mas a vida é como uma tela de pintura.
Onde o poeta é livre para expor suas cores
Suas dores, suas palavras e seus amores.
E nessa branca vida,
A gente que escolhe a cor do desenho.

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