Retiro de mim toda esta carga que me escassa a boa vontade de viver.
Não sou o Messias, nem o Super-Homem.
Sou humano, droga! E quero morrer assim – humano.
Cansei de inventar certezas e acusar falsos réus.
Cansei de proclamar esta justiça dúbia e inventada.
Sim, ela é bonita – mas em teoria!
Assim como o é os contos de fábulas.
Sim, sou um transeunte ao qual tu não deves prestar a tua atenção.
Sou um qualquer, um homem parvo, limitado, trabalhando apenas para ter o que comer.
Sim, sou este homem que se veste sério, mas se rir por dentro como criança.
Sou um homem que nasceu bebê, cresceu criança, e agora busca o que comer.
Sou um homem que sem ver esmaga insetos quando está a correr para pegar o metrô.
Sim, sou cruel até quando não vejo onde piso.
Nasci bebê, e não tenho super-poderes e nem mesmo inteligência.
Sou apenas técnico, simples, de alma parca.
Sou um ser medíocre, que trabalha com as palavras não para mudar o mundo, nem para justificar os meus erros, mas para apontar algo ao mundo – Olhem, eu erro também!
Sou pequeno. Sou pequeno, meu caro!
Nasci bebê, sangrando a minha mãe ao parto, ferindo-lhe as entranhas.
Nasci pequeno, e a minha alma pouco evoluiu.
Há hipocrisia cá e lá. E não estou afim de defender nem um lado nem outro.
Pois, eu sou pequeno demais para decidir sobre o que é certo ou o que é errado.
Mas digo-lhe – e repare bem a sinceridade dos meus olhos ao dizê-lo!
Se me pedires para decidir quem está certo e quem está errado, eu rolarei os dados e lhe trarei a mais justa sentença!
O julgamento do acaso!
Sou pequeno. Nasci bebê sangrado.
Do acaso não fugi.
E digo agora o que eu sinto – não o que sei:
O acaso é o deus mais lindo que já trombei por aí – desde o dia em que eu sangrei minha mãe ao parto.
Ah sim, foi um belo dia de outono!

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