– Ando tão infeliz, Lyceu.
– Tenho percebido, Jorge. O que
tanto te aflige?
– Acho que todos os meus planos
deram certo...
– Mas eu não entendo. E o que
isto tem de ruim?
Os olhos de Jorge correram
baixos, cercado em rugas tão expressivas.
– É Alice, Lyceu... Devia tê-la
colocado em meus planos desde quando a conheci.
– Perdoa-te a ti mesmo, Jorge!
Não podemos prever o que iremos querer no futuro.
– Eu sei, eu sei meu caro! Mas
isso não é algo que me ocorreu só agora... Eu sempre a quis. Mas nunca disse a
ela.
– E por que não dizes hoje?
– Hoje?! – Seus olhos desta vez
fitaram o amigo com pesar e espanto – Estou velho, Lyceu. – tornou a baixar os
olhos, cabisbaixo – E se tu leres as cartas que ela me escreve, e se estas
fossem para ti, também desistiria deste amor doloroso.
Lyceu olhou para o amigo com uma
expressão de confuso.
– Mas o que Alice dizia de tão
grave, oras?
E desta vez o pesar bateu mais
forte.
– Ela
me dizia... Ela me chamava de “meu caro amigo”.

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